Desabafos

Dispo-me

Dispo-me. Tiro a mascara e entrego-me a mim, todos os dias, à noite. Evito essa hora, tento prolongar a sobrevivência desta máscara que monto todos os dias de manhã. Visto a farda e finjo. Todos os dias. Reencontro-me quando a dispo à noite e entro no meu quarto. Sou eu. Outra vez. Entrego-me a mim. E choro. Sou eu. Visto todos os dias o sorriso aceito, mas pouco, pela sociedade, tal como visto uma camisola.

Ao longo do dia há coisas que magoam. Mais uma vez, uma facada no pescoço. Sorrio, não dói. Dói depois quando me reencontro. Distraio-me o máximo que posso até dormir. Adormeço. Calma. Amanha é outro dia. Vai passar.

Outro dia nasceu. Tudo outra vez, vai passar. As vezes não é tão violento. Então sorrio, de verdade.

É difícil olhar-me ao espelho, não me reconheço, a figura que ele reflete não sou eu, já fui, não sou mais. Matei-me a algum tempo atrás. Tento habituar-me. Espero um dia chegar lá. Vejo todos os defeitos e mais algum. Tento evitar. Não consigo. Um dia chego lá. Vejo todos os defeitos e mais algum. Tento evitar. Não consigo. Um dia chego lá. Sou eu. Sou assim. Um dia chego lá. Começo hoje.

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